domingo, 2 de abril de 2017

Ao que nunca vem

Aqui faz frio, há um tom de paz no ar que estranhamente se entranha.
Não o queria, ter paz não vai de encontro a ser "alguém". Mas estou cá. De noite ouvem-se melhor os pequenos tons de natureza fundidos com o medo, o desconhecido. O coração(palavra cada vez mais feia) acelera ligeiramente quando baixo os braços, me entrego ao que não conheço, ao que está para vir. Não há dramas, não há bonito nem feio. Por vezes quase que posso jurar ouvir algum bater de asas. Não vem de mim, vem do que queria que já tivesse chegado e provavelmente nunca virá. Não gosto de praia, mas não há dia em que não gostasse de cuspir toda aquela água salgada, as sereias, as rochas, os fósseis...